terça-feira, 19 de outubro de 2010

Contrastes

Não me lembro muito bem o dia, lembro que era um Sábado, mais ou menos 18:30, estava pegando o ônibus, voltando do meu antigo curso de Web Design.Entrei no ônibus, passei meu bom e velho Cartão Transporte, e sentei no banco mais próximo da porta traseira. Estava Preocupado. Tinha uma festa de Halloween a noite, queria ver o quanto que eu ia gastar. Seriam 50R$ o necessário? Estava lá, resmungando ao ter só 20R$ para o uso dentro da festa. Pensando no que ia beber, no que iria comer, no que iria gastar. Estava Preocupado.

Menos antes que eu esperava, entra uma moça, aparentava ter ao menos 20 anos, com um filho no colo e outro segurando pelo braço. Pedia ajuda, dizia a moça que não tinha emprego, que estava pegando latinhas nas ruas para conseguir dar um sustento á seus filhos. Fui hipnotizado pela moça, fiquei estarrecido com o meu egoísmo. Me senti um lixo. Afinal, enquanto estava eu, preocupado com meu próprio bem estar, estava lá, uma moça jovem, com dois filhos para criar, procurando sustentar os pequenos, que com certeza estavam famintos.

Eu não estava me contentando com 20R$, ela com certeza, ficaria feliz com 5R$, para comprar alguns litros de leite para dar aos seus filhos.

Me senti um lixo de pessoa.

Como poderia reclamar do que eu tinha? Eu tinha casa, pais presentes, alimento, escola, tinha tudo e não sabia. Deixei com que uma lágrima escorresse involuntariamente sobre meu rosto, para tentar diminuir aquele peso de pessoa mediocre em que me colocava.

Ao passar por mim, a moça, devidamente sem esperanças de conseguir algo, nem me dirigiu a palavra. Chamei-a para o canto, lhe dei 5 reais. Nunca me senti tão bem. Ainda me sinto culpado de não ter lhe dado 20R$, mas na hora, nem pensei em o que estava dando, mas mesmo assim, foi um ato mesquinho de minha parte.

Não lembro exatamente a data desse dia, mas me recordo muito bem dele, e o levarei sempre comigo.

Memórias o vento leva, mas as atitudes, Deus nos joga na cara para faze-las.

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